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O caso do Agente de Polícia - Visar - Pego ou pegado? M. T. Piacentini
O caso do AGENTE DE POLÍCIA O leitor S.A.M.G., de João Pessoa – PB, anota que é uma agressão à nossa língua "dizer agente de polícia civil ao invés de agente da polícia civil, pois se perguntarmos ao agente onde ele trabalha certamente ouviremos como resposta na Polícia, e não em Polícia". Não creio que seja bem assim. Vejamos por que digo isso. A rigor, uma vez que se qualifique ou determine um segundo substantivo, deveria se determinar o antecedente usando da e não de. Por exemplo: ele é chefe de gabinete. Se o gabinete é da Presidência, se diria, como conseqüência: ele é o chefe do gabinete da Presidência. Mas também é lícito dizer "chefe de gabinete da Presidência" quando se quer ou se precisa manter a unidade da expressão chefe de gabinete. Isto é: ele é chefe de gabinete (do gabinete) da Presidência. Subentende-se a repetição da palavra "gabinete". Outro caso semelhante é o do "projeto de lei orçamentária", que está registrado, por exemplo, inúmeras vezes na Constituição Federal. Pode parecer estranho, mas tem a mesma lógica: o projeto de lei (da lei) orçamentária. Nesse tipo de estrutura está se evitando – reitero – a repetição do segundo substantivo, que então estaria determinado pelo artigo. O projeto de lei forma uma unidade "imexível": o "projeto da lei orçamentária" seria outra coisa, diferente do "projeto de lei (da lei) orçamentária". Chegamos, então, ao agente de polícia. O seu cargo é exatamente este: agente de polícia, assim como "delegado de polícia". Mas qual polícia? perguntamos. – A polícia civil. Portanto, ele é um agente de polícia (da polícia) civil. Concorda? Claro que pode haver simples agentes que trabalham para a Polícia, os quais seriam "agentes da Polícia". Mas aí já é outra história... Visar A pedido, repetimos a regência do verbo visar. – Com o sentido de dirigir o olhar / a pontaria ou pôr o visto em, é transitivo direto:
– Com o sentido de propor-se, dispor-se, ter em vista, pretender, objetivar, pode ser transitivo indireto (com a preposição a) ou direto:
Pego ou pegado? Hoje em dia usam-se indiferentemente os dois particípios. Pego é a forma inovada e pegado a forma tradicional:
Se nenhuma das formas lhe soar bem, substitua por: apanhado, colhido etc. Sobre a autora: Maria
Tereza de Queiroz Piacentini é catarinense, professora de Inglês e
Português, revisora de textos e redatora de correspondência oficial há mais
de vinte anos. Em 1989 foi responsável pela revisão gramatical da Constituição
do Estado de Santa Catarina e no ano seguinte publicou artigos sobre questões
vernáculas em diversos jornais. Retoma agora a publicação de colunas semanais
com temas atualizados, em vista da experiência adquirida e das inúmeras consultas
que lhe têm feito pessoas de todo o País depois que lançou o livro Só Vírgula
- Método fácil em 20 lições (UFSCar, 1996, 164p.). Também teve publicados,
em 1986, dez módulos da Instituição Técnica Programada - ITP, Português para
Redação, edição esgotada.
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