Fale conosco | Cadastro | Indique este site | Como publicar | Links Indicados | Editora Komedi | Webka


Bem-vindo(a) visitante 18586299, 02/09/2010 • www.kplus.com.br


Busca no Kplus

Digite um assunto específico que deseja encontrar no site

Matérias

Entrevista
Eduardo José Pereira

A evolução dos Sistemas de Produção Enxuta no Brasil
Marco Antonio Cardozo

Os passos do Negociador Empresarial <br>Passo 5 - Qualidade da Argumentação
Sebá

Talento x potencial
Eloi Zanetti

Azul, de longe...
Arnaldo Massari

Serviços

Mais de 70 Jornais Nacionais e Internacionais
Mais de 100 Revistas Nacionais e Internacionais
Mais de 100 Museus do Mundo
Programas de Busca na Internet - Nacionais e Internacionais

Revistas

 

Implementando o CMMI (Capability Maturity Mode Integration) como ferramenta para gerenciamento de projetos de Software

Adilson Moreira de Souza


“Em casa de ferreiro espeto é de pau”

Hoje, nas organizações, existe uma crescente demanda pela qualidade da prestação de serviço ao cliente, tem-se que trabalhar em prol da sua fidelização – O Cliente é o que importa. Este conceito está muito presente nas empresas, dessa forma, o atendimento  ao cliente interno passa a ser a meta principal.

Em muitas empresas, a área de TI é um dos prestadores de serviço mais criticado, porque interage diretamente com todas as áreas das empresas, fornecendo-lhes ferramentas que possibilitem o aumento da produtividade e seu crescimento.

Muitas vezes os integrantes de TI não conseguem planejar suas ações, tornando-as imprevisíveis e até caóticas; isto ocorre porque a documentação dos processos, às vezes, não está atualizada ou sequer existe. Os poucos processos estáveis existentes estão sujeitos a esforços individuais, já que não há padrões a serem seguidos ou, se houver, são ignorados; as ferramentas são usadas sem controle gerencial, ou seja, ao acaso; as metodologias são aplicadas informalmente, sem que haja resultados previsíveis. O sucesso, portanto, depende diretamente dos desenvolvedores.

Dessa forma, o número de reclamações cresce, fazendo com que a equipe de TI passe a agir como BOMBEIROS; todavia, não consegue atingir os resultados esperados pela organização, criando um círculo vicioso: não planejo porque não tenho tempo, não tenho tempo porque as necessidades do sistema são freqüentes; as necessidades de correção do sistema são urgentes porque não há um planejamento.

Esse círculo, porém, pode ser quebrado pela TI e, assim, o atendimento com qualidade aos clientes será aprimorado. No entanto, como realizar esta mudança?

É certo que não será de imediato, pois os profissionais terão que buscar no mercado ferramentas e metodologias que os auxiliem neste empreendimento.

A adoção da metodologia CMMI como ferramenta no gerenciamento de projetos de Software é muito comentada e requisitada. Mas, o que é CMMI?

É uma metodologia criada pela SEI (Software Engineering Institute) para ser um guia destinado a melhorar os processos organizacionais e a habilidade desses em gerenciar o desenvolvimento, a aquisição e a manutenção de produtos e serviços. O CMMI organiza as práticas, que já são consideradas efetivas, em uma estrutura que visa auxiliar a organização a estabelecer prioridades para melhoria e também fornece um guia para a implementação dessas melhorias.

O primeiro passo a ser dado é a identificação – através de um método definido pelo SEI ((SCAMPI – SEI Members of the Assessment Method Integrated Team, 2001) e conduzido por um avaliador credenciado – do estágio em que a empresa se encontra no presente; uma vez que este denota um nível de maturidade a ser alcançado pelas empresas, visando ajudá-las no desenvolvimento e manutenção dos projetos de software, como também melhorar a capacidade de seus processos.

Após a verificação do estágio da empresa, verifica-se qual a próxima etapa a ser alcançada e quais as competências que devem ser adquiridas neste processo. Esta fase é importante, pois permite alcançar o sucesso e, conseqüentemente, melhoria na qualidade dos serviços e produtos fornecidos pela área de tecnologia da Empresa.

O CMMI está dividido em cinco estágios:

  1. Realização – Estágio inicial;
  2. Gerenciado – Gerenciamento de requisitos, planejamento de projeto, monitoramento e controle de projeto, gerenciamento de fornecedores, medição e análise, garantia da qualidade do processo e do produto, gerenciamento de configuração;
  3. Definido – Desenvolvimento de requisitos, solução técnica, integração do produto, verificação e validação, foco no processo organizacional, definição do processo organizacional, treinamento organizacional, gerenciamento de riscos, gerenciamento integrado do projeto, análise da decisão e resolução;
  4. Quantitativamente – Gerenciamento quantitativo do projeto, performance do processo organizacional;
  5. Otimização – Análise causal e resolução, inovação organizacional e implantação.

A seguir seguem os detalhes de cada estágio e suas respectivas competências.

QUADRO DE COMPETÊNCIAS POR ESTAGIO

ESTAGIO

COMPETÊNCIAS

1- REALIZADO

Estágio inicial – completa falta de planejamento e controle dos processos. Os funcionários estão focados basicamente em atividades corretivas que surgem a todo momento.

2-GERENCIADO

São estabelecidos processos básicos de gerenciamento de projeto para planejar e acompanhar custos, prazos e funcionalidades. Compromissos são firmados e gerenciados. A disciplina de processo permite repetir sucessos de projetos anteriores em aplicações similares. Tipicamente, possui gerenciamento de projetos estabelecido; alguns procedimentos técnicos escritos; acompanhamento de qualidade; gerência de configuração inicial; atividades básicas de medição e análise. O sucesso depende basicamente do gerenciamento do projeto.

3-DEFINIDO

Atividades de gerenciamento básico e as de Engenharia de Software são documentadas, padronizadas e integradas em processos-padrão. Todos os projetos de desenvolvimento ou manutenção de softwares utilizam  uma versão de um desses processos adaptada às características especificas de cada projeto. Possui processos gerencias e técnicos bem definidos, possibilidade de avaliação do processo; ferramentas e metodologias padronizadas; medições iniciais de desempenho; inspeções e auditorias rotineiras; testes padronizados; gerência de configuração; evolução controlada dos processos técnicos e gerenciais.

4-QUANTITATIVAMENTE GERENCIADO

Métricas detalhadas do processo de software e da qualidade do produto são coletadas. Tanto o processo como o produto de software são  quantitativamente compreendidos, avaliados e controlados. Relatórios estatísticos são gerados. Tipicamente, encontra-se estabelecido e em uso rotineiro um programa de medições, a qualidade é planejada por um grupo dedicado, sendo rotineiramente avaliada e aprimorada

5-OTIMIZAÇÃO

A melhoria contínua do processo é estabelecida por meio de sua avaliação quantitativa e da implantação planejada e controlada de tecnologias e idéias inovadoras. Projetos-piloto são realizados para a absorção e internalização de novas tecnologias. Tipicamente, um alto nível de qualidade e de satisfação dos clientes é alcançado rotineiramente, com grande foco na melhoria contínua.

Deve-se lembrar de que não basta saber onde se deseja chegar; é preciso traçar o caminho que se irá trilhar para atingir o objetivo. Nesta tarefa, a metodologia CMMI também socorre, dividindo cada estágio em áreas de processo e para cada uma delas são definidos dois conjuntos de metas: as específicas e as genéricas.

A essas metas, a definição do modelo recomenda práticas genéricas divididas em um conjunto de características comuns que por sua vez se divide em quatro categorias. São elas:

Comprometimento com a execução – Agrupa práticas relacionadas à definição de políticas e responsabilidades, descrevendo ações para assegurar que o processo se estabeleça e seja duradouro;

Habilitação para execução – Agrupa práticas contendo pré-condições para o projeto, de forma a permitir a implementação adequada do processo;

Direcionamento a implementação – Agrupa práticas relacionadas ao gerenciamento do desempenho do processo;

Verificação da implementação – Agrupa práticas para revisão junto à alta gerência e avaliação objetiva da conformidade com processos, procedimentos e padrões.

É necessário à Empresa focar seus esforços na definição das metas específicas/genéricas para a realização do trabalho.

As metas específicas, na maioria das vezes, estão focadas no negócio da empresa e buscam alinhar a metodologia CMMI às necessidades próprias; por sua vez as metas comuns focam em aspectos inerentes a qualquer empresa e devem ser considerados para a correta implementação da metodologia,  de forma a garantir a maximização dos resultados.

As categorias acima descritas deverão ser consideradas em qualquer estágio com o qual a empresa se identifique dentro da metodologia exposta. Elas buscam direcionar as ações de forma a garantir que o ciclo de evolução seja completado, possibilitando a implementação de uma evolução contínua dos processos e do produto como um todo.

A metodologia CMMI é um guia para as pessoas de TI que já estão cansadas de agir como bombeiros, trabalhando arduamente e sem encontrar nenhum reconhecimento pelos usuários. Não é de forma alguma um processo simples de ser realizado, exige uma mudança de cultura voltada para o planejamento, a qualidade e o controle dos processos de desenvolvimento dos softwares. Os tópicos descritos acima são os passos iniciais a serem tomados pelas empresas que desejam implementar  uma cultura na Gestão de Desenvolvimento.

Mini Currículo:

Adilson Moreira de Souza, Analista de Sistemas formado pela Universidade Metodista de Piracicaba, Especialista em Analise de Sistemas e MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getulio Vargas.

E-mail: adilson_m_souza@uol.com.br



Matéria publicada em 01/12/2005   - Edição Número 76