A Revista A Cigarra tem participado de várias atividades
literárias e encontrado muitas pessoas que vem divulgando a cultura da Região
das Sete Cidades (Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão
Pires e Rio Grande da Serra), constatamos que vivemos um momento muito fértil
de criatividade e atitude de cidadania tendo as artes como a carro chefe.
Continuamos com nossas antenas ligadas e aguardando toda poesia
possível.
N O M E I O - F I O
no meio do caminho
tinha uma perna nunca esquecerei
no meio do caminho
que tinha
uma perna
no meio do caminho
cronograma de pedras
olhos de
anêmona suave e mãos
que se cruzam nas ruas
em busca de outras mãos
? minhas tuas
nascedouro e ocaso das manhãs
sem outra cara ou metade
inteira parte de tudo
Lau Siqueira
08.03.2002
Paraíba
Não peço ao mundo que me aceite
apenas quero que me amem
não todas as pessoas, nem sempre
neste caminho
aprender a ser mulher cada dia
num fazer permanente
em quereres próprios
deixar as foleirices de lado
saber que ao assim ser
as horas são mais quentes
os dias mais intensos
as paixões possíveis
poder rir com quem sabe rir
das palavras entendidas
umas ditas e outras imaginadas
nestes sorrisos que valem a pena
nestas passagens a pensar
o que será ser mulher
depois de menina
Mulher será saber-se
a si mesma como ser
e ao mundo esquecer
porque ele não nos quer sabedoras
sabermos é podermos
podermos é liberdade
esta liberdade que tanto amo
e o mundo tanto poda
Mulher é conhecer o seu corpo
dele fazer os prazeres
construir as opções
recriar os carinhos
dividir-se em delírios
consciente das partilhas
Mulher é ser parceira
de trabalhos e dores
das chuvas em águas
fora de hora
Mulher é trabalhar
no que melhor quer
é lutar por ter opções
é querer
A borboleta não sabe
Da suas asas, nem lembra da forma
Do seu passado.
A borboleta é
Uma sensação,
Um lembrete da primavera
Que já passou.
Fausto
Wolff
in O Pacto de Wolffenbüttel
Ed. Bertrand Brasil- 2002
Poema-prefácio para O céu de todas as cidades
mar
alaúde
de jade
céu
labirinto
de cristal
Alberto Marsicano
você acaricia o incontrolável
em fronteiras vazias
nos entregamos ao
sol profundo do esquecimento
depois da estação
onde já não te vejo
suponho o teu olhar as estrelas
Gustavo Arruda
In O Céu de Todas as Cidades
Edições Quase- Portugal
Mulher
Essa mulher atrás do sorriso
é metamorfose de amores.
Raízes sem inércia
buscando rebeldias,
pela mão leva seus rumos,
cultiva em silêncio as forças.
Essa mulher germinou
nas entranhas do tempo
e caminha pelas ruas,
incógnita Eva, Lilith, Maria,
Joana D’Arc, Pagú, Clarice.
E de tantos nomes e rostos
talvez nem ela saiba, que é
a essência de todas em uma só.
Jurema Barreto de Souza
BEM SEI
SER SOL
QUANDO TUDO
EM MIM ANOITECE.
Zhô Bertholini
claro de lua
o teu corpo nu
reflete o brilho da lua
no meu olhar perdido
no vão da janela.
Ademir Antonio
Bacca in Pandorgas
ao Vento Editora
Grafite –Bento Gonçalves-RS
Matéria publicada em 01/04/2002
- Edição Número 32