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Este, Esse ou Aquele M. T. Piacentini
Este, Esse ou Aquele Em português existem três pronomes demonstrativos com suas formas variáveis em gênero e número e invariáveis [isto, isso, aquilo]. Eles assinalam a posição do objeto designado relativamente às pessoas do discurso (falante/ouvinte) e ao assunto do discurso (o ser de que se fala). Há uma estreita relação entre os pronomes pessoais, os possessivos e os demonstrativos:
Apesar de existirem regras para os pronomes demonstrativos, não se constata muita rigidez no seu uso, principalmente na fala quando se observa uma assimilação do t pelo s (parece que tudo é isso, essa, esse) e sobretudo no tocante ao seu emprego para lembrar ao leitor ou ouvinte o que já foi mencionado ou se vai mencionar. Vejamos então um esquema de bom emprego dos pronomes demonstrativos: Em relação ao lugar:
Há neste ponto uma natural correlação com os advérbios de lugar: isto aqui isso aí - aquilo ali / lá [jamais de diz * aquilo aqui; pode-se até ouvir *isso aqui, mas por causa da assimilação da letra t , já mencionada]. Exemplos corretos:
Emprego em relação ao tempo:
Exemplos:
Emprego em relação ao discurso:
Emprego dos pronomes demonstrativos em relação ao discurso: entre dois ou três fatos citados:
Exemplos:
Uma questão de clareza - É bastante comum o uso de este/esta no lugar do pronome pessoal ele/ela como referência à coisa mais presente, mais à mão, mais próxima (embora já apresentada), quando na oração anterior aparecem outros substantivos que poderiam ser referidos pelo mesmo pronome pessoal, o que poderia confundir o leitor. Exemplos:
Dois antecedentes masculinos. Com ele no lugar de este, à primeira vista poderíamos pensar ter D. João V, e não D. José, nomeado Sebastião José (o Marquês de Pombal) ministro.
Pelo demonstrativo, fica claro que Rawls é o sujeito de admite, não Macpherson.
O pronome ela no lugar de esta não nos permitiria saber se o autor estava fazendo referência a linguagem, retificação ou ruptura. Quando os substantivos antecedentes pertencerem a número e gênero diversos ou quando não houver ambigüidade na frase, é melhor, mais adequado e correto usar o pronome pessoal ele(s) ou ela(s) em vez do demonstrativo:
Mais um detalhe: ao se referirem a elemento anterior mais próximo, os pronomes este(s) / esta(s) são encontrados também em combinação com o termo último: Preocupa-se o autor com a escrita como processo, e não como literatura ou como texto a ser lingüisticamente analisado. Aliás, neste último caso não se leva em consideração o tipo de processo..." Cabe mencionar ainda que no Brasil as editoras, principalmente, não estão sendo demasiadamente rigorosas com o uso dos demonstrativos (a não ser na questão de lugar e tempo), porque no aspecto de localização do discurso muitas vezes a distinção entre o que é mencionado anteriormente e o que é lugar/tempo é pouco perceptível. Por exemplo, num texto em que vários artigos de lei estão sendo citados, o autor pode preferir dizer este artigo ao se referir a um já citado (quando então usaria esse artigo) porque ele está justamente tratando "deste último", do mais próximo (lugar), do que está presente naquele momento (tempo). Também no caso de uma tese em que se fala de uma empresa ou pessoas pesquisadas, pode-se escrever "esta empresa" ou "estas alunas" mesmo tendo sido elas mencionadas antes - no parágrafo anterior, digamos -, desde que se pense nelas como "as alunas tratadas aqui, nesta pesquisa", ou "a empresa de que se fala neste trabalho, aqui e agora". São casos em que a escolha depende do ponto de vista de quem escreve.
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