Editorial
A
Cigarra continua divulgando a Poesia e buscando o eco do seu canto. Se você lê
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seus leitores. Aguardamos sua visita, acigarra@zipmail.com.br
mal me quer
se
mal me queres
mal
se mal me queres
bem mal queres
bem
mal
se bem
queres
bem bem me queres
se
bem mal queres
se bem bem mal queres
mal me queres
mal me quer
bem
bem queres
mal me quer
mal me queres
bem
me
se
Edgard
Braga (1963)
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José Lino Grünewald (1959)
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céu: pistilos
faíscas do sagrado
sob um ponteiro de diamante
escrever no vidro
sentenças de vidro
in
visíveis
Haroldo de Campos (1977)
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corpo
a pouco
pouco a corpo
corpo a pouco
pouco a corpo
Ronaldo
Azeredo (1960)
A poesia
é uma família
dispersa
de náufragos
bracejando
no tempo
e no espaço.
Augusto
de Campos in Verso Reverso Controverso,
1978. Ed.
Perspectiva.
um
movi
mento
compondo
além
da
nuvem
um
campo
de
combate
mira
gem
ira
de
um
horizonte
puro
num
mo
mento
vivo
Décio
Pignatari -1956
Divino conteúdo
p/ Augusto de Campos
fogo fátuo
luz néon
homo-sapiens
eis o que somos
na fatia
de cada dia
cada gomo
um gnomo
se instala
se estala
na festa viva da poesia
Zhô Bertholini in Sem Ensaio
SOL PEQUENININHO :
Ontem,
florações do outono
lanças verdes premiando as terras baixas
preguiça
de marrecos,
descansam os calendários dos homens
dentro de grandes
profundas
cavernas
silenciosas
os
meninos verão filmes pornográficos
hoje de madrugada
já que todos
dormem
dormem
ANDITYAS SOARES DE MOURA
Corporal
Meu carinho
é sangrado.
Esse ai de pluma e pelica
não dão sonho no olho
não doem prazer nos poros
que não brotam de feridas.
Meu carinho e acidentado.
Cai aos borbotões
na minha ponta de faca
goteja lá um balsamo
se lambe te acaricia.
Vermelho-bicho e meu carinho
sem hemorragia
eu não vivo.
Beatriz
Escorcio Chacon in Veios do Corpo
MEU HOMEM
Meu homem de cabeleira de
velocino de ouro
De pensamentos de explosões de supernovas
De silhueta de renda
Meu homem de silhueta de boto rosa em lua cheia
Meu homem de boca de bouquet de abismos de edelweisses
De dentes de desmanchar laço e galáxias
De língua de magenta e de morangos maduros
Meu homem de língua de estilete e sabor de baunilha
De língua de sete idiomas de sete anjos
De língua de benaventuranças
Meu homem de cílios de impressão de nanquim da China
De sobrancelhas de tabaco de Havana
Meu homem de têmporas de vibrações de oboé
E pulsar de canário
Meu homem de ombros de arca sagrada
E de centímetros traçados com régua e esquadro
Meu homem de punhos de desconstrução do poema
Meu homem de dedos de secos e molhados e confeitarias
De perder e achar signos
Meu homem de axilas de penas de águia e onix
De dourado de asa de borboleta
De outono e de folhas as margens do Sena
De braços de raízes de figueira e vagalumes
E de carrossel que gira auroras
Meu homem de pernas de rimar ruas
De movimento de pianista e verso livre
Meu homem de barriga da perna de casulo de bicho da seda
Meu homem de pés de amuleto Inka
De pés de papiros de secretos monges
Meu homem de pescoço de papoulas arcoirizadas
Meu homem de garganta de bola de cristal da Boêmia
De fotossíntese de avencas
De peito de citaras
Meu homem de peito de dirigível em chamas
Meu homem de peito de camélias brancas
De peito de talagarça bordado com neon
Meu homem de ventre de incenso de jasmim
De ventre de vitrais policrômicos
Meu homem de costas de lírios pintados em veludo negro
De costas de azul de um dia de abril
De costas de leque de lâminas argênteas
De nuca de essências de mitos
E de campos elíseos
Meu homem de quadris de cerâmica
De quadris de ambrosia e de louça
E de cinzel de esculpir deuses
De fúrias de moinhos
Meu homem de nádegas de damasco e
hortências
Meu homem de nádegas de acrobacias de aeroplano
Meu homem de nádegas de revoluções e bandeiras
De sexo de sortilégios
Meu homem de sexo de tato de lamparina
Meu homem de sexo de ondas de rádio e parabólicas
Meu homem de sexo de impressionismo francês
Meu homem de olhos de voô de
beija-flor
De olhos de domingos perdidos em corais
Meu homem de olhos de ardências de Lilith
Meu homem de olhos de gotas de óleo de amêndoas
Meu homem de olhos de inseminar luas no céu
De olhos de sol entrando pela
fresta da palavra.
Jurema Barreto de Souza
Matéria publicada em 01/04/2001
- Edição Número 20
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