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Customizar, fulcrar, ociar M. T. Piacentini
Não é de espantar o título desta coluna? Você pode conhecer os três verbos ou desconhecê-los por completo, pois eles passaram a existir na língua portuguesa há pouco tempo, assim como os demais que veremos abaixo. Isso significa um enriquecimento do idioma – para algumas pessoas; para outras, trata-se de um abuso. Quem não gosta de neologismos não precisa usá-los, certamente. Mas como não se escolhe o que se lê (no sentido de que não posso selecionar os vocábulos dentro de um texto que estou lendo), é bom saber o que há de novidade por aí. A mais recente, para mim, foi o verbo "ociar" - facilmente relacionado a "ócio", uma vez que constava da resenha do livro A Economia do Ócio, de De Masi, Bertrand Russel e Paul Lafarge: "Os autores querem contribuir para a recuperação da ciência econômica como via ocidental para a arte de ociar". E já me falaram em "gugliar" (de fazer busca no Google), mas aí vou esperar para ver! *
Customização tem o sentido de adaptar os produtos e processos ao gosto do cliente, portanto é o atendimento que visa a satisfação do freguês. A origem da palavra está no inglês customer, que significa "cliente" – não tem nada a ver com "costume", como pode parecer à primeira vista ao falante de português. *
O verbo elencar já é encontrado no dicionário Houaiss e significa incluir num rol, lista ou elenco. Quanto ao particípio fulcrado, emprega-se como alternativa para "baseado, fundamentado, com base, fulcro ou fundamento em". Já o verbo fulcrar [calcar, apoiar] é menos comum. O termo "fulcrado" já criou tradição em razão de seu uso constante, podendo ser aceito sem problemas na linguagem oficial. *
Assim como muitos termos da área da informática são usados em bom português – como "configurar, arquivar, responder, formatar, imprimir, fechar" –, outros continuam transitando, aqui no Brasil, em inglês mesmo (por ex. link, hiperlink, mouse, dowload, chat, backup). E outros, como "delete", ainda que tenham equivalentes em português, receberam formas adaptadas que são preferidas pelo público. Vejamos então alguns verbos que sobrevivem com sua forma aportuguesada:
Sobre a autora: Maria Tereza de Queiroz Piacentini é
catarinense, professora de Inglês e Português, revisora de textos e redatora
de correspondência oficial há mais de vinte anos. Em 1989 foi responsável pela
revisão gramatical da Constituição do Estado de Santa Catarina e no
ano seguinte publicou artigos sobre questões vernáculas em diversos jornais.
Retoma agora a publicação de colunas semanais com temas atualizados, em vista
da experiência adquirida e das inúmeras consultas que lhe têm feito pessoas
de todo o País depois que lançou o livro Só Vírgula Método fácil em 20 lições
(UFSCar, 1996, 164p.). Também teve publicados, em 1986, dez módulos da Instituição
Técnica Programada ITP, Português para Redação, edição esgotada.
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